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Fatos e dados históricos

Local da antiga e última forca da cidade
Obelisco
Praça Nilo Peçanha, coreto e Academia Campista de Letras
Porto na Rua de D. Pedro - “beira rio”
Praça Prudente de Morais
Mercado no antigo Rocio, ao fundo da foto 3 Igreja Santa Efigênia vista pela Rua Formosa (Tenente Coronel Cardoso)
Descrição:

Até o ano da elevação da Vila à categoria de cidade, 1835, Campos contava apenas com uma praça - Praça Principal ou da Constituição, quatro largos - Rocio, Rosário, Pelourinho (ou do capim) e das Verduras, e umas 25 ruas, estreitas e tortas, sem calçadas e nem todas pavimentadas. Desde aquela época, cada rua, canto, recanto, praça ou edificação campista guarda inúmeros fatos históricos e curiosidades:

Av. Alberto Torres (Antiga rua Nova da Constituição)

Em 1835 era tomada pelo mato, fato que motivou a Câmara de Vereadores a deliberar pela limpeza e lhe dar novo traçado. Em 1844 foi prolongada até o Outeiro (Pç. Barão do rio Branco) e em1856 foi proposto seu alongamento até aos fundos do Cemitério da Coroa (Cemitério do Caju). Em 1889 foi feito seu nivelamento pela Companhia ferro Carril para assentamento da linha de Bondes. Nela encontram-se o Fórum (Câmara Municipal), a Faculdade de Medicina de Campos, o Colégio batista Fluminense e a Igreja Boa Morte.

Rua dos Andradas (Antiga rua Detrás do Rosário)

Durante muito tempo foi conhecida como Rua do Fogo. Recebeu a atual denominação em 1867. Era uma ruazinha cheia de atoleiros, principalmente no seu cruzamento com a Rua Santa Efigênia. Como era uma rua de intenso comércio foi calçada em 1856. Segundo Horácio de Souza (1985, p. 35), Nela, chama a atenção o prédio de nº 90, que segundo o historiador/pesquisador Horácio Souza (1985, p.35) foi sede do movimento abolicioniosta.

Rua Barão do Amazonas (Antiga rua do Alecrim)

Antes conhecida como Rua da Alagoa do Osório (ou Furtado) e Rua do Padre Paiva, recebeu o nome atual depois da Guerra do Paraguai, em 1867, em homenagem ao Barão. Na confluência com a Rua Vigário João Carlos havia um teatrinho "Casa da Ópera" e  junto ao rio havia um movimentado comércio, com hotel, venda, açougue e até relojoaria. Nela estão localizados o Hotel Amazonas, a Estação de Saneamento e o Mercado Municipal.

Rua Boa Morte

Calçada em 1831, recebeu esta denominação por causa da Igreja dedicada a Nossa Senhora da Boa Morte que em 1931 com o alargamento da Av. Alberto Torres, passou a  dar frente para esta.

Rua Comendador Sanguedo (Antiga rua Aquidaban ou rua das Cabeças)

Deve sua primitiva denominação - das Cabeças - ao fato de no período colonial a polícia ter colocado em postes duas cabeças humanas de criminosos condenados. Sua parte pantanosa foi aterrada em 1849 e ocupava um lugar periférico, com moradias de gente simples. Seu nome foi alterado para  "Aquidaban" após a guerra do Paraguai e a denominação atual foi bem mais recente.

Rua Conselheiro Otaviano (Antiga Travessa do Curral)

No cruzamento desta com a Rua 13 de Maio ficava o "Curral do Açougue", o "matadouro de gado e aves", daí seu nome original. Em 1885 tinha três seções, a saber: Travessa do Curral, Rua da Princesa e Rua do Canal. Em 1889 teve seu nome modificado em homenagem ao chefe do partido liberal, o "Conselheiro Otaviano". Seu calçamento foi completado em 1913.

Rua Gil de Góes (Antiga Travessa do Beco das Cancelas, Estradinha do Saco ou do Outeiro)

Por volta de 1860 a parte junto a rua Boa Morte era ocupada por cortiços e casebres próximo da Lagoa do Furtado. Em 1863 recebeu oficialmente nome de Gil de Góes. Em 1890 o Barão de Miracema e o Conselheiro José Fernandes fizeram doação das terras para o seu prolongamento até o Saco, passando pelo Outeiro do Liceu.

Rua Lacerda Sobrinho (Antiga rua do Sacramento)

Até 1875 seu trecho para além da Rua Formosa era considero "fora da cidade" e era povoada por chácaras. Foi denominada Sacramento não apenas por passar ao lado da Igreja Matriz, mas porque nela estavam localizados muitos prédios pertencentes a Irmandade do Santíssimo Sacramento. Recebeu sua denominação atual na virada do século XX, homenageando o benemérito médico. Nela está localizado o edifício da Escola Nilo Peçanha.

Praça do Santíssimo Salvador ( Antiga Praça Principal ou da Constituição)

Até 1839 era um lugar coberto de capim, tanto que em 1841 para a festa de regozijo pela coroação de D. Pedro II, a Câmara providenciou uma capina. Somente em 1869 foi providenciado seu nivelamento. Em 1874 foi proposto o ajardinamento e seu fechamento com gradis, modificações que foram realizadas apenas em 1888, tendo como exemplo do Campo da Aclamação no Rio de Janeiro.

Av. 15 de Novembro, Av. Rui Barbosa (Antiga rua Beira Rio Paraíba ou Rua de D. Pedro)

Seguindo as curvas naturais do Rio Paraíba, era a rua mais movimentada, pois era a única entrada da cidade até a construção da Estrada de Ferro. Ao longo dela mais de 15 portos, vários trapiches, bancas de comércio de peixe se espalhavam. Foi arborizada em 1857, com 50 mudas de nogueira da Índia. Foi calçada em 1868 e a primeira muralha, de pedra, começou a ser construída em 1835 defronte a cidade.

Rua 13 de Maio (Antiga rua Direita)

Cobria o trecho desde a rua Beira Rio até ao Passeio Municipal, hoje 28 de março. Antes era conhecida como rua dos Mercadores e uma parte dela como rua de São Francisco. Recebeu calçamento ainda no tempo de Vila (1795) em sua área mais central, mas somente em 1845 foi totalmente calçada.

Rua Vigário João Carlos (Antiga rua Detrás da Matriz)

Também conhecida como travessa da Matriz ou rua da Casa da Ópera, na esquina com a rua do Alecrim (Barão do Amazonas) localizada-se a Casa da Ópera. Em 1847 foi calçada, e em 1857 foi prolongada até o canal Campos-Macaé. A mudança de nome em homenagem ao Vigário João Carlos se deu em 1883.

Rua 21 de Abril (Antiga rua Nova do Ouvidor)

Também foi denominada de Beco do Campello e rua de José Carlos. Em 1890 seu nome foi oficializado como rua 21 de Abril. Em 1857 foi calçada e em 1882 foi prolongada até encontrar com a rua do Ouvidor ( Marechal Deodoro).

Praça da República

Foi inaugurada no dia 4 de julho de 1851 em um terreno cedido pela ordem 3ª de S. Francisco à Câmara de Vereadores.
Recebeu inicialmente os nomes de "cercado de S. Francisco", Praça Santa Efigênia (devido à construção da Igreja de Santa Efigênia), Praça do Imperador e Praça da Redenção, nome que lhe foi dado por ter sido ai, no sobrado que fica no correr dos últimos prédios da Rua dos Andradas em frente à Praça, o quartel general dos abolicionistas. O nome atual foi conferido em 1896.

O Obelisco

Em 1911, quando  em vista a cidade, Oliveira Botelho, presidente do Estado do Rio de Janeiro (antiga nomenclatura do governador), em companhia do ministro da Agricultura, Pedro de Toledo, disse que ela não tinha aspecto condizente com a sua riqueza. Os usineiros, que eram cultos e haviam estudado na Europa, em sua grande maioria, estabeleceram um imposto de 2,5% a ser cobrado sobre tudo que viesse do nosso solo. O dinheiro foi investido na reformulação do espaço urbano. As Ruas Sete de Setembro, João Pessoa, Tenente-coronel Cardoso e 21 de Abril foram alargadas. A avenida Alberto Torres retificada. O projeto paisagístico da praça do Liceu e Jardim São Benedito também é desse período. Após cinco anos, o presidente da República, em visita a Campos, inaugura as benfeitorias, tendo o Obelisco como assinatura desses cinco anos de progresso arquitetônico. É como se a construção do monumento tivesse durado os cinco anos que ele representa.

Praça Nilo Peçanha

Popularmente conhecida como jardim São Benedito, isso porque antes de 1865 era somente a Praça Municipal, e, quando do início da construção da Igreja dedicada ao São Benedito, toda a área por extensão ficou sendo denominada pelo nome do santo siciliano.
A Câmara Municipal no ano de 1850 pretendeu abrir uma praça, traçada anos antes no Plano Pralon, para a qual o proprietário José de Meu Tio exigiu vultosa quantia de indenização pelos seus limoeiros. Foi então solicitada ao Governo provincial autorização para a desapropriação. No ano seguinte o Barão de São João da Barra, proprietário de grande área de terras neste local, concordou em demolir seu prédio para a retificação do traçado da praça.
Até os anos de 1864 na área que era conhecida como Cercado do Meu Tio se reuniam as famílias campistas para piqueniques em tardes aprazíveis e durante as festas juninas, denominadas convivências, com shows pirotécnicos e apresentação de Bois Pintadinhos. Nesta mesma área esteve plantada a última forca da cidade, onde eram executados os escravos, até os anos de 1873.
A denominação Praça Nilo Peçanha aconteceu em 1904, quando foi construída logo ao centro a Escola Wenceslau Brás, de linhas arquitetônicas gregas, hoje Academia Campista de Letras, em meio a jardins de gosto francês. Os bustos de Nilo Peçanha e de José do Patrocínio estão colocados nas suas laterais externas.    

Mercado Municipal

Em 1850 a Câmara Municipal havia deliberado que apenas dois lugares eram especiais para a venda das quitandas e verduras, o largo do capim - Boulevard de Paulo Carneiro e a Praça das Verduras ou Praça Prudente de Morais - Chá-chá-chá. Em 1869 o Conselheiro Thomas Coelho propôs a construção de um novo mercado junto ao Canal Campos-Macaé, entre as ruas Formosa e do Conselho - João Pessoa. Em 1875 foi defendida a idéia de duas praças de mercado, uma na Praça das Verduras e outra entre o canal e a Rua Barão do Amazonas.
Quatro anos mais tarde foi dada a concessão de exploração de uma Praça de Mercado a fim de se extinguir com a antiga, na Praça das Verduras, aberta e sem higiene. A empresa concessionária escolheu então o Rocio para levantar a construção, inaugurada em 1880. Por cerca de quinze anos, os antigos quitandeiros não deixaram a área da "Quitanda Velha". Em 1889 o Mercado de Peixes foi transferido da Rua de D. Pedro - Av. Quinze de Novembro, para a Praça Azeredo Coutinho.
Com o crescimento da população, a Praça do mercado no Rocio ficou muito pequena, então em 1917, o então prefeito Luiz Sobral contratou a firma paulista Prudent Noel para a construção do novo e confortável Mercado Municipal junto a praça Azeredo Coutinho, inaugurado em 1920, quando a cidade entrava na modernidade, marcada também pela inauguração do Teatro Trianon.

Por: Profª Sylvia Marcia

Referências Bibliográficas
Acervo fotográfico da historiadora Sylvia Marcia Paes, fotos datadas de 1998.
Acervo Museu Campos dos Goytacazes, Pasta nº 40
BRITTO, Saturnino de. Saneamento de Campos: projetos e relatórios. Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 1943.
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_____ . O processo de verticalização de Campos dos Goytacazes. In: V Encontro Regional da ANPUH - Associação Nacional de pós-graduação e Pesquisa em Urbanismo. Espírito Santo.Relações de Poder e Práticas Políticas. Vitória, 2004.
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LOPES, Alberto Costa. Evolução urbanística de Campos: aspectos de legislação. 1988.
PAES, Sylvia. Plano Pralon: "aformozeamento" da cidade de Campos dos Goytacazes - 1840-1845. 1993. Monografia (pós-graduação em História do Brasil) - FAFIC, Campos dos Goytacazes/RJ, 1993.
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